segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Remember - One Shoot



Já era a quarta vez que a garota relia aquela carta. Já era a quinta vez que a garota tentava acreditar no que acontecera.
Ele só pode estar brincando! Uma brincadeira de muito mal gosto! - A garota reclamava internamente implorando e tentando convencer a si mesma de que tudo não passava de mais um trote do eterno Kidrauhl.
A garota estava a mais de uma hora sentada na cama, lendo e relendo aquelas palavras escritas em uma caligrafia desorganizada, com pressa, com sofrimento. A carta vinda dele, a lembrava de todos os momentos que havia passado ao lado de seu melhor amigo, seu confidente, e nos últimos meses, sua paixão escondida. Tinha medo de que ele não sentisse por ela o mesmo sentimento puro que seu coração insistia em lembrá-la toda vez que se deparava com as pérolas castanho-douradas, o sorriso perfeitamente branco que apresentava um pequeno defeito na parte superior-frontal, que o deixava ainda mais perfeito. Esse medo todo desapareceu, assim que seus olhos decifraram as linhas, deixando um sorriso triste, mas mesmo assim, um sorriso, no rosto da garota.
" Eu não sabia como te dizer isso, mas agora que vejo que
nada terá volta, nada mais justo do que revelar a você,
minha confidente, o meu maior segredo. Sempre tive medo,
medo que você não quisesse, o rejeitasse tal possibilidade,
e o pior de tudo que eu a fizesse sofrer, por conta disso.
Mas, o grande segredo em questão, é que eu te amo.Não
tenha dúvidas ou recentimentos sobre isso, pois
é a mais pura verdade. Ainda guardo nosso primeiro
beijo, ainda pequenos, com amor em meus lábios. Temo que o
gosto de seus beijos tenham mudado, e que
eu não seja o único a experimentá-los para o resto
de nossas vidas. Só peço que nunca, nunca mesmo,
esqueça do meu amor, ou de mim, pois aonde eu estiver
vou sempre estar cuidando de você.
Minha princesa."
Lendo o trecho, a garota pôs a mão direita nos lábios, de leve, voltando a sentir a mesma sensação de ter os lábios macios, doces e ao mesmo tempo, amargos do amigo, em contato aos seus. Mesmo já tendo se passado longos 6 anos desde o acontecido, sim, ela ainda conseguia se lembrar perfeitamente do encaixe de seus lábios aos dele.
Terminou pela sexta vez a leitura da carta e suspirou fundo, quase convencida de que tudo aquilo era verdade.
– Anne, você vai ao enterro? - A mãe da garota adentrou o quarto somente com a cabeça. Seus olhos vermelhos, assim como o nariz, denunciavam o choro recente. Era tudo verdade.
– Vou sim. - A garota tentou fazer com que a voz saísse firme, mas tudo que conseguiu foi uma voz embargada, mostrando o quanto abalada estava por finalmente entender a realidade dos fatos. Deixou a carta em cima do criado-mudo branco ao lado da cama e levantou-se posicionando-se ao lado desta, direcionando seu olhar à sua mãe, que continuava na porta.
– Justin gostaria que se despedisse dele uma última vez... - Ela disse soltando um sorriso fraco, tentando passar para a filha um pouco de segurança e conforto que fosse. - Ele realmente gostava de você.
É preciso dizer tudo, antes que a vida decida nos impedir. *
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* Frase de minha autoria.

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